A vida ficou séria demais

A vida ficou séria demais
A vida implora por uma pausa, a gente se percebe cansado de tudo. A alma pede para desacelerar, e viver em câmera lenta; ela quer observar a beleza e a simplicidade ignoradas pela turbulência do viver moderno.
A vida moderna requer tanto de nós, são tantos estímulos, tantas responsabilidades, tantos anseios. Por outro lado, a alma sinaliza que estamos correndo na direção contrária, visto que a felicidade é irmã da simplicidade.
A gente percebe a vida se afunilando enquanto vivemos feito loucos, nessa correria desenfreada. O corpo pede endorfina, ele pilhado de tanta adrenalina.
Trocamos o toque da pele pelo toque na tela; os abraços andam cada vez mais escassos; os risos, os afetos, as brincadeiras, a dança, os devaneios estão desaparecendo do nosso cotidiano. A vida anda séria demais, e competitiva ao extremo.
Já não temos mais tempo para aquilo que faz cócegas na alma; as borboletas no estômago foram substituídas por grilos na cabeça. Estamos sempre em busca de um amanhã, de um futuro melhor. Enquanto isso, os dias escorrem pelos dedos, a gente nunca valoriza o presente como ele merece. Não nos damos conta do quanto desperdiçamos a vida com bobagens, com irrelevâncias, e com coisas que não compensam.